Palavras Soltas

setembro 24, 2009 at 12:31 (Pensamentos) (, , , , )

E eu não sabia o quão fundo eu poderia cavar. Não tinha limites, e nem imaginava a que ponto chegaria. Acreditava que tudo se resolveria sozinho e que jamais eu precisaria intervir, pois pra mim tudo caminhava normalmente.

Eu sabia que algo estava errado, eu sabia que nem ao menos deveria estar ali e por diversas vezes eu tentei fugir. Infelizmente, eu percebi tarde demais que eu havia entrado em um lugar sombrio e que a chama que conseguia guiar os meus passos estava se extinguindo.

Eu não sabia o que fazer, eu nada podia fazer. Era tudo muito escuro e eu não via nenhum sinal que fosse capaz de me apontar à saída de lá.

Eu estava com medo e podia ver que aquela chama tão viva, agora estava se extinguindo. Eu sentia muito frio. Eu estava com medo, talvez fosse insegurança e… Talvez, fosse covardia.

Ultrapassei o impossível e encontrei as respostas, mas, já não lembrava nem mesmo como havia chegado até ali… Mesmo assim, eu continuei caminhando.

A velha tocha, agora apagada, exalava um odor insuportável que de tão ruim me sufocava. Eu podia sentir meus olhos ardendo. Eu chorei… Sem saber se as lágrimas eram de tristeza… Sem saber se as lágrimas eram de dor.

Eu sentia as pedras no chão. Meus pés estavam frios… Mas, isso não me importava. Eu sentia coisas que eu não sentia antes, coisas das quais eu jamais imaginei que poderia sentir. O medo, o medo ainda me perseguia.

Já não sei se o que passou foi real, não sei nem dizer se eu queria que tivesse sido real, nem sei ao menos aonde eu cheguei, mas, acho que já me acostumei com a cegueira… Maldita cegueira.

O cheiro da fumaça está se esvaindo eu quase nem consigo mais senti-lo. Acho que nem consigo mais lembrar como era a luz. Quando me lembro meus olhos ardem novamente. Agora eu sei o motivo…

Não me vejo em um deserto e nem me sinto perdido, só me sinto cansado. É como se eu esperasse que aquela tocha, que um dia foi a minha fonte de luz, reacendesse e me encharcasse de esperanças mais

uma vez… Mas, pensando bem, eu não sei se a quero acesa novamente, pois, enquanto ela estava acesa eu temia o momento em que ela fosse se apagar. Hoje, ela é apenas uma lembrança… Nada, além disso. Uma relíquia de um passado tão sombrio quanto o agora. É o sonho em confronto com a realidade. É a posse daquilo que eu nunca pude ter. Mas, talvez, meu único medo seja que minha fonte de luz de outrora acabe se apagando, junto com minhas lembranças… Tenho medo de um dia olhar para ela e acreditar que jamais esteve acesa.

É difícil acreditar no tempo em que ela está apagada. É difícil lembrar do quanto ela me aquecia, é difícil afirmar que ela um dia me aqueceu. Sinceramente? Não sei se eu gostaria que ela estivesse acesa novamente. Estou no escuro. Não sei até onde eu posso enxergar, não sei se eu ainda enxergo. Um dia talvez, eu vá sair daqui… Ou já me acostumei a estar aqui? Não sei. Não consigo me lembrar como é lá fora, não sei se existe um “lá fora”. Não sei se eu estou do lado de fora, como posso saber? Não sei pra onde eu devo ir. Simplesmente, eu não sei.

Minha maior tristeza não consiste em saber que você está feliz, consiste em saber que não sou eu quem está te proporcionando esta felicidade.

clave_de_sol

Escrevi isso há algumas madrugadas atrás. Pensei em postá-lo na mesma hora porém, decidi não fazê-lo naquele momento. Corrigi hoje algumas falhas e dei um nome.

Esse texto não tem como objetivo promover minha situação nem nada do tipo, são apenas sentimentos traduzidos de forma figurada e em palavras. Tudo aquilo que é feito com o coração tem muito valor. Lembre-se disso caro leitor. Guarde todos seus sentimentos para, assim como eu, jamais deixar de lembrar o quanto você é capaz de se superar.

‘-’…

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