Compreensão

outubro 3, 2009 at 08:59 (Pensamentos) (, , , , , , )

No que consiste uma injustiça? Seria a falta de compreensão? Seria falta de maturidade? Seria uma super-valorização dos próprios valores? Valores egoístas que tampam a visão e não permitem analisar bem o que está acontecendo?

São diversas dúvidas, pra poucas respostas. Quando decidi virar gente e aprender que cada pessoa tem medos diferentes, visões diferentes e que existem inúmeras formas de alguém reagir às adversidades, passei a acreditar que as injustiças são mais comuns do que eu imaginava até então.

Não creio que eu seja injusto com ninguém, eu acredito que eu sou maleável demais até, o que leva muitas pessoas a acreditarem que têm domínio sobre mim.

Ultimamente eu estou aprendendo MUITO e isso às vezes me faz questionar se as minhas decisões são corretas e se elas são justas com todas as pessoas que as envolvem, além de mim claro. O que mais me intriga, é a forma com que estas questões chegam até mim. De repente, vejo uma situação em que me pego dando conselhos dos quais nem mesmo eu estou seguindo. Sou uma pessoa que prega muito o respeito, a lealdade e a compreensão, acredito que estas sejam as bases pra QUALQUER tipo de relacionamento humano, desde a sua amizade com o porteiro do seu prédio, passando pela doméstica da sua casa e terminando no grande amor de sua vida.

Mesmo valorizando estas ‘preciosidades’ creio que eu não esteja fazendo o correto, afinal uma recente atitude minha vem pesando demais na minha consciência. Sei que tive uma parcela essencial de culpa, mas acredito que não existe ninguém que aguente compreender sempre, se doar sempre e respeitar sempre alguém que simplesmente não demonstra sequer um sinal de que este seu esforço vale, valeu ou valerá a pena.

Pensemos, a vida é corrida, mal percebemos e o ano de 2009 já está indo embora. Eu  me reservei, e depois de passar por problemas insolucionáveis (pelos quais passei acredito que é complicado conseguir levantar-se e recuperar a essência da própria vida) ergui a cabeça e passei a olhar mais pra quem eu ignorei anteriormente. Pois bem, reservei paciência, compreensão e gastei os últimos traços de energia que ainda restavam dentro de mim tentando regar às plantas das quais cegamente esqueci de cuidar. O que mais me impressiona é que mesmo assim nunca recebi a compreensão da qual eu tanto prezo, a compreensão da qual eu tanto passo adiante.

É horrível você nem ao menos ter certeza se acordará bem amanhã, é pior ainda viver com a consciência de que tem uma doença grave e que ela pode te matar a qualquer instante e mesmo assim reservar tempo pra simplesmente estar à disposição de alguém. Além de ser extremamente desgastante chega a ser cruel.

Ninguém te disse que a vida seria fácil, jovem Marcel. Ok, não acredito que isso seja uma queixa, acredito sim que seja uma questão de injustiça.

Sou adepto da seguinte teoria: “Não faça com o outro aquilo que não gostaria que fizessem com você”, infelizmente, nesta teoria poucas pessoas percebem que ela é recíproca. Acredito que ninguém deva viver para proporcionar a alegria dos outros, mas, existe forma de ser mais feliz do que saber que está contribuindo pro bem-estar de alguém?

Poxa, eu sempre tento ser tão correto, gosto de respeitar os momentos de reflexão e os momentos individuais das pessoas que me cercam, algumas pessoas chegam a dizer que eu sou meio “indiferente” por simplesmente nunca chegar, perguntar, falar, conversar, etc. Olha, eu sou respeitador da liberdade individual de escolha e de seleção, acredito que você escolhe as pessoas que quer falar, e acredito que você também seleciona as pessoas que você gosta.

Eu sempre estou aqui, sempre demonstro milhões de formas pelas quais você pode vir e comunicar-se comigo, nem que seja pra dizer que ainda vive e que sente falta de mim, pra quê então destratar? Não acredito que isso seja pedir demais, acredito que isso seja algo básico até. Não creio que eu queira que TODAS as pessoas façam isso, seria insuportável, mas, pelo menos com as mais próximas isso é fundamental. Caso contrário, o que restaria?

Os dias passam, as horas vão, e a cada novo dia que nasce, cada vez que eu acordo, novamente começo a me questionar se tudo que eu já passei valeu mesmo a pena. Sim, claro, tudo que se passa é válido como experiência, porém, mesmo sabendo que se aprende apenas com os erros e não com os acertos, eu gostaria que pelo menos uma vez eu conseguisse acertar. Ao menos uma vez eu pudesse ter tudo àquilo que eu proporciono aos outros de volta pra mim. Porém, os dias continuam passando pra mim sem nada acontecer. E eu continuo me desdobrando em compreensão e respeito a troco de nada, ou melhor, a troco da pura e nua e cruel indiferença.

É absurdamente triste pensar assim. Sendo o mundo um lugar tão cheio de gente que precisa disso, por que não se pode contribuir? E não precisa ser com todo o mundo não, basta abrir os olhos e olhar para quem está ao seu lado agora, basta lembrar de quem nunca te esqueceu. Será que machuca tanto assim você ser uma pessoa agradável que GOSTA de espalhar boas energias e GOSTA de contribuir? Pra quê responder isso com arrogância e indiferença? É muito deprimente saber que as pessoas que você mais ama nem ligam pra você. Talvez, eu simplesmente esteja amando as pessoas erradas, não sei.

Depois disso tudo, acabei percebendo que as coisas das quais HOJE eu acredito serem injustas, seria simples resolver, bastava eu usar mais uma dose cavalar de compreensão e fingir que simplesmente nada aconteceu. O que mais me desanima, é ter a certeza de que tudo àquilo que acontece uma primeira vez volta a acontecer mais tarde e continua se repetindo diversas vezes até algo MUITO GRAVE acontecer. E é nesse momento que a indiferença dá o seu lugar para a culpa.

Pense nisso, caro leitor, simplesmente diga algumas simples palavrinhas: Tudo bem? Conseguiu o que estava tentando? Como vai? Nossa como você está bem! Estou feliz por isso. Não creio que isso seja um paradoxo, acredito mesmo que é num pequeno gesto repetido diariamente que levaremos a imagem de alguém para o resto da vida. Cada qual tem seu jeito de se sentir bem. Eu me sinto bem simplesmente ouvindo uma palavra de carinho. E você? Como sente-se bem? Já parou pra pensar o quanto você tem sido injusto com as pessoas que te amam?

Eu costumo colocar frases temáticas no MSN que expressem bastante o meu sentimento naquele momento, já ouvi algumas vezes de alguns contatos meus que:  ‘A primeira coisa que fazem é olhar que frase eu coloquei no meu MSN’. Isso me enche DEMAIS de orgulho, afinal eu sei que pelo menos existem pessoas estão vendo o que eu estou fazendo e estão silenciosamente aplaudindo ao meu esforço. Note como é simples. Apenas reparar na mudança, reparar no crescimento e dar uma chance pequena para alguém conseguir mostrar do quê é capaz, vocês já pararam pra notar se fazem isso? É triste saber que os elogios que recebo, em sua maioria, vêm de pessoas das quais eu infelizmente não dou nem um pingo de atenção, é extremamente triste mesmo.

Agora, seria mesmo injustiça o que eu estou fazendo? Eliminar uma planta que mesmo depois de ter sido tão bem cuidada não cresce? Nem sequer brota? Nem sequer dá sinal de vida? Se isto é ser injusto, a minha noção de certo e errado, justiça e injustiça deve estar absurdamente ofuscada. Mesmo assim, eu não seria capaz de ignorar alguém, mesmo que eu respeite os limites de cada um e que eu prefira aparecer apenas quando sou chamado, não sou capaz de tamanha brutalidade, afinal, machucar quem te ama é fácil o que ninguém parece saber é que curar estas feridas é mais fácil ainda. Basta dizer com o coração o porquê você fere, desculpas não funcionam, sinceridade sim.

Sem querer ser narcisista, mas eu gostaria muito que no mundo houvesse mais pessoas com metade da minha personalidade. Não sou modesto, mas o que eu tenho em arrogância eu tenho em compreensão, e dobrado.

Minha compreensão tem um limite, infelizmente (ou felizmente)  ela se renova com MUITA velocidade e às vezes por mais pisado que eu esteja, eu consigo encontrar um sentido pra isso, para o ato de ‘pisar’ em mim, mesmo assim até o dia de hoje nunca fui capaz de compreender o seguinte: Por que ninguém usa apenas a sua própria opinião na hora de tomar uma atitude? Por que a opinião alheia significa tanto na hora de você se decidir o que quer pra si próprio?

Se me fosse dado o poder pra eliminar um sentimento do mundo eu não eliminaria o ódio, eu eliminaria a indiferença. Nada é pior que a indiferença, ao menos no ódio sentimos algo e gastamos alguma energia pensando em alguém, já na indiferença nem isso acontece.

Dica de música? Nenhuma por hoje.

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O “tudo” que mata

julho 21, 2009 at 07:51 (Pensamentos) (, , , , , , , , , , , , )

Tem vezes em que acontecem coisas incríveis e inacreditáveis conosco, a maior delas talvez, esteja em saber que existe uma pessoa no mundo na qual poderíamos viver e morrer ao lado e saber ao término da vida que teríamos vivido completa e intensamente bem.

Acredito que viver pelo simples fato de viver não tenha graça, já que uma hora descobrem-se pessoas às quais vão nos dar uma nova razão de existir e em pouco tempo a sensação que com elas finalmente teremos um ar para respirar.

Sua presença é capaz de aliviar magicamente, faz com que esqueçamos de qualquer problema real e presente em nossas vidas. Problemas estes que nos torturam e pelas madrugadas adentram nos dando a sensação que o restante do mundo só quer nos destruir e que ninguém mais vale a pena.

Magicamente uma energia fabulosa nos motiva de tal forma e nos fortalece, podemos sentir o calor, podemos sentir a energia correndo pelo corpo. Nesta hora notamos que finalmente estamos em nossa frequência. Somos como uma pilha carregada, preparada pra encarar qualquer desafio, preparada pra derrubar o mundo, pois nada é capaz de reduzir sua força.

Tudo é belo, tudo tem um gosto melhor, tudo é fantástico… Mas, aos poucos notamos que nossa carga vai muito lentamente diminuindo à medida que nossa fonte de energia vai se afastando, e aos poucos deixamos de olhar para frente para simplesmente fitar os próprios pés. Ao perceber isso, deixamos de sonhar e novamente passamos a raciocinar. Ah o raciocínio, maldito raciocínio que deprime… Maldito raciocínio que mata… Não se pode ir contra o raciocínio… Pobre raciocínio, tão sagaz e tão pobre é ele, maldito raciocínio.

Se pudesse o raciocínio saber o significado do sentimento amor ele não seria tão frio, o raciocínio. E o amor? Um sentimento muito mais forte e muito mais poderoso que se imagina. Ele nos dá a ousadia de afirmar para quem quiser ouvir: Ninguém mais no mundo é capaz de sentir o que eu sinto. Amor bom, amor vital, nos alimenta e nos dá esperanças… Mas, friamente somos atacados pelo o raciocínio mais uma vez, apontando os erros e nos dizendo o que devemos fazer. Dizendo tudo aquilo que não queremos ouvir, dizendo aquilo que tragicamente faz sentido.

Vemos-nos obrigados a mascarar aquilo que é puro. Pelo bem de todos, pelo nosso próprio bem, mas principalmente pelo bem de quem nos dá a energia da qual precisamos para poder abrir os olhos pela manhã.

Por oras nos pegamos pensando e novamente raciocinando… Por oras nos pegamos entristecendo por culpa do raciocínio… Ah o raciocínio… Raciocínio implacável que nos faz perder mais tempo que o próprio tempo. E quando finalmente pensamos no progresso feito, nota-se tudo igual, nem ao menos uma vírgula mudou.

Nessa hora então decidimos mudar. Viver novas experiências, curtir novas emoções e intensamente viver uma nova vida! Mas, aos poucos, sem pressa, sem fazer barulho, sem assustar, sem se deixar notar, com humildade, com carinho, te confortando aquela pureza retorna e sem  perceber, você está novamente tomado com a energia fundamental que te permite respirar novamente, que te permite ser alguém novamente. São tempos felizes, ignorando o raciocínio, chegamos até a pensar que dá pra levar a vida assim, desse jeitinho tímido. Mas, subitamente nos vemos em um abismo sem fim, abismo que te distancia daquela formidável fonte de energias… Abismo que multiplicando o peso de tudo, desmoronando tudo ao seu redor, e quando você acha que já aconteceu tudo outra desgraça te afunda ainda mais neste precipício de sombras. E nesta hora… A esperança nos deixa…  Tudo perde a cor. Nada mais faz sentido, nem o que se sente e menos ainda o que está acontecendo, você se encolhe e percebe a fria realidade que não sorri pra você. Implacável, inabalável e cruel, não te dá nenhuma chance, não te deixa explicar o puro sentimento que mora em você. Entristecemos… Caímos…  E finalmente, morremos.

Morremos por descobrir que a melhor coisa da vida não está ao seu alcance.

Um amor… Uma vida… Uma existência… Uma razão… Aquele “tudo” que te mata…

Este é um fragmento de uma conversa que eu tive no MSN há pouquíssimo tempo. Isso faz algum sentido pra você? Se sim você agora sabe o que é viver intensamente, pensando bem você agora sabe o que é VIVER.

Peace ^^v

Fica a dica: Speed Of Sound – Coldplay

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