O “tudo” que mata
Tem vezes em que acontecem coisas incríveis e inacreditáveis conosco, a maior delas talvez, esteja em saber que existe uma pessoa no mundo na qual poderíamos viver e morrer ao lado e saber ao término da vida que teríamos vivido completa e intensamente bem.
Acredito que viver pelo simples fato de viver não tenha graça, já que uma hora descobrem-se pessoas às quais vão nos dar uma nova razão de existir e em pouco tempo a sensação que com elas finalmente teremos um ar para respirar.
Sua presença é capaz de aliviar magicamente, faz com que esqueçamos de qualquer problema real e presente em nossas vidas. Problemas estes que nos torturam e pelas madrugadas adentram nos dando a sensação que o restante do mundo só quer nos destruir e que ninguém mais vale a pena.
Magicamente uma energia fabulosa nos motiva de tal forma e nos fortalece, podemos sentir o calor, podemos sentir a energia correndo pelo corpo. Nesta hora notamos que finalmente estamos em nossa frequência. Somos como uma pilha carregada, preparada pra encarar qualquer desafio, preparada pra derrubar o mundo, pois nada é capaz de reduzir sua força.
Tudo é belo, tudo tem um gosto melhor, tudo é fantástico… Mas, aos poucos notamos que nossa carga vai muito lentamente diminuindo à medida que nossa fonte de energia vai se afastando, e aos poucos deixamos de olhar para frente para simplesmente fitar os próprios pés. Ao perceber isso, deixamos de sonhar e novamente passamos a raciocinar. Ah o raciocínio, maldito raciocínio que deprime… Maldito raciocínio que mata… Não se pode ir contra o raciocínio… Pobre raciocínio, tão sagaz e tão pobre é ele, maldito raciocínio.
Se pudesse o raciocínio saber o significado do sentimento amor ele não seria tão frio, o raciocínio. E o amor? Um sentimento muito mais forte e muito mais poderoso que se imagina. Ele nos dá a ousadia de afirmar para quem quiser ouvir: Ninguém mais no mundo é capaz de sentir o que eu sinto. Amor bom, amor vital, nos alimenta e nos dá esperanças… Mas, friamente somos atacados pelo o raciocínio mais uma vez, apontando os erros e nos dizendo o que devemos fazer. Dizendo tudo aquilo que não queremos ouvir, dizendo aquilo que tragicamente faz sentido.
Vemos-nos obrigados a mascarar aquilo que é puro. Pelo bem de todos, pelo nosso próprio bem, mas principalmente pelo bem de quem nos dá a energia da qual precisamos para poder abrir os olhos pela manhã.
Por oras nos pegamos pensando e novamente raciocinando… Por oras nos pegamos entristecendo por culpa do raciocínio… Ah o raciocínio… Raciocínio implacável que nos faz perder mais tempo que o próprio tempo. E quando finalmente pensamos no progresso feito, nota-se tudo igual, nem ao menos uma vírgula mudou.
Nessa hora então decidimos mudar. Viver novas experiências, curtir novas emoções e intensamente viver uma nova vida! Mas, aos poucos, sem pressa, sem fazer barulho, sem assustar, sem se deixar notar, com humildade, com carinho, te confortando aquela pureza retorna e sem perceber, você está novamente tomado com a energia fundamental que te permite respirar novamente, que te permite ser alguém novamente. São tempos felizes, ignorando o raciocínio, chegamos até a pensar que dá pra levar a vida assim, desse jeitinho tímido. Mas, subitamente nos vemos em um abismo sem fim, abismo que te distancia daquela formidável fonte de energias… Abismo que multiplicando o peso de tudo, desmoronando tudo ao seu redor, e quando você acha que já aconteceu tudo outra desgraça te afunda ainda mais neste precipício de sombras. E nesta hora… A esperança nos deixa… Tudo perde a cor. Nada mais faz sentido, nem o que se sente e menos ainda o que está acontecendo, você se encolhe e percebe a fria realidade que não sorri pra você. Implacável, inabalável e cruel, não te dá nenhuma chance, não te deixa explicar o puro sentimento que mora em você. Entristecemos… Caímos… E finalmente, morremos.
Morremos por descobrir que a melhor coisa da vida não está ao seu alcance.
Um amor… Uma vida… Uma existência… Uma razão… Aquele “tudo” que te mata…
Este é um fragmento de uma conversa que eu tive no MSN há pouquíssimo tempo. Isso faz algum sentido pra você? Se sim você agora sabe o que é viver intensamente, pensando bem você agora sabe o que é VIVER.
Peace ^^v
Fica a dica: Speed Of Sound – Coldplay
