Paradigma: A arte de fazer sem saber porquê.

maio 1, 2010 at 08:59 (Crítica) (, , , , , , , , , )

Já parou pra perceber o padrão das pessoas que cercam você? Principalmente no aspecto brasileiro de ser? Se você não compreende exatamente onde eu quero chegar com esta indagação, dê a si mesmo um tempinho pra pensar no tipo de pessoas que te cercam. Repare nos aspectos mais superficiais delas. Note os seus estilos de roupas, cabelos e principalmente o modismo dos acessórios. Pois bem, é disso que eu quero falar hoje.

Bom, moro em uma cidade pequena com cerca de 100 mil habitantes. Isso por si só deveria ser algo relativo, já que geograficamente não estou muito bem situado no que diz respeito ao tipo de pensamento da população. Realmente, os mais críticos diriam que é um clichê reclamar dos outros sem olhar para o próprio umbigo, mas posso garantir que eu pago muito caro pra manter a minha personalidade sem cair no modismo e nos paradigmas pré-estabelecidos por sei lá quem.

Primeiramente, observei algo que era um tanto peculiar até notar a diversidade de valores entre as pessoas. Na minha cidade em que grande parte da população é de classe menos favorecida uma das coisas que mais vejo são pessoas exibindo seus celulares de última geração acompanhados de jóias caríssimas. Não falando apenas da futilidade feminina, mas dessa praga chamada metrossexualismo masculino que faz com que o padrão seja usar uma correntinha de prata e um par de óculos escuros, com o intuito de parecer um pouco mais ‘cool’, note que eu disse “parecer”. Outro ponto, mas não menos importante, está na prioridade adotada pela juventude, e não só por eles, com a mania paleozóica do “mim-ter-minha-fêmea”, e é aí que o drama começa.

Seja a idade que for, mesmo se o garoto tiver apenas 12 anos e não tiver uma ‘guria’ no alvo ele é atrasado e será pressionado até o momento em que, devido a pressão, ele acabe obrigado a atender aos padrões sem nem ao menos conhecer a si mesmo e a quem, agora, faz parte de sua vida. E nisso surgem os trolls. Caso você não esteja namorando na cabeça desse povo você é simplesmente sequelado, pois a vida gira em torno da reprodução. Nisso surgem problemas como gravidez, doenças e outros detalhes já desgastados que não cabem ser tratados aqui. Onde isso é refletido? Em crianças mal-educadas e que não tem um mínimo de integridade moral, pois seus ‘exemplos’ são belas estátuas de fezes, pra não dizer montes de merda. Agora some: Baixa renda, falta de informação, futilidade e pense no quê resultam tais atributos? Simples: em adultos neuróticos que veem o mundo de uma maneira cretina onde pensam serem os dominadores de seus universos em que ‘o momento’ é o único objetivo. Nisso surge a marginalização, culpa dos descerebrados ‘modistas’ que acreditam que apenas se reproduzir e ‘parecer’ coll é que se resume a vida.

Olhando mais friamente pra este dado, nota-se o quão arcaico é este pensamento bacteriano, no qual o sexo é o objetivo da vida.

Realmente compreendo que nas necessidades mais básicas do ser humano esteja a satisfação sexual, mas pelo amor de deus não façamos disso nosso objetivo! Não se torne absurdamente vulgar por aquilo que os outros proporcionam pra você, por favor, tenha orgulho próprio. Saiba das coisas que você faz, e entenda o quê você está fazendo, pelo amor de deus tente ser um pouco menos imbecil! O mais bizarro é que essa padronização foi aceita pela grande maioria.

A busca não está no aprendizado e por uma condição de vida razoável, a única coisa que importa é a busca pela reprodução e pelo ônus que isso trará perante o restante dos trolls. Atributos como formação e auto-conhecimento são dispensáveis hoje em dia, afinal o importante é ‘ter muié’.

Entenda… Em padrões brasileiros, pelo meu vão entendimento, isto é uma ‘fase’ normal da vida. Ok, até aí eu sempre engoli, mesmo que com grande relutância. A questão é que eu não contava com a possibilidade de conhecer pessoas de fora do Brasil capazes de me mostrar os seus estilos de vida, suas casas e seus costumes. Uma vez que isto tenha acontecido a minha reação foi imediata, e eu pasmei com tamanha futilidade brasileira. Um contraste que não fica apenas no padrão físico, mas que ultrapassa qualquer linha imaginável do bom senso. O que leva a crer que Brasil é uma piada e os brasileiros não fazem por menos serem taxados como uma ‘praga’.

Chego a apostar que grande parte dos leitores deste artigo criticará a forma com que eu aponto para os jovens e para a sua preocupação com o sexo, mas me entendam e tentem responder para si mesmos quantas horas por dia um jovem brasileiro passa estudando? Respondeu? Agora me diga quantas horas por dia este mesmo jovem passa correndo atrás de mulher? Curioso não é? Observando bem são bizarras e revoltantes as tais prioridades daqueles que se dizem ‘o futuro da nação’.

Sem prolongar muito este assunto eu gostaria de deixar aqui o meu protesto, pois creio que muita das atitudes tomadas por grande parte das pessoas que eu conheço é na verdade um reflexo daquilo que sempre foram ensinadas a tomar, não exatamente por sua vontade e necessidade. É trágico reparar que este padrão esteja se desenvolvendo como uma doença, onde o topo é algo relativamente intangível para quem acredita ser capaz de questionar sua condição e seus objetivos. Creio que cabe muito mais a própria pessoa definir para si aquilo que lhe é adequado e aquilo que lhe é agradável, deixando a opinião e o questionamento alheio apenas ALHEIO a si, sem tornar com que isso seja a sua posição final.

É triste, realmente é muito triste, mas acho que neste mundo eu vivo sozinho. Sempre disse desde muito pequeno que o meu lugar nunca foi aqui, nesta cidade, neste país, e hoje em dia minha opinião continua inabalável. Os costumes europeus e norte-americanos são ricos em excesso. E eu não estou falando sobre riqueza material, mas uma riqueza que dificilmente um brasileiro ‘padrão’ conseguirá compreender: A riqueza intelectual. O “levar a sua vida” em primeiro lugar, sem preocupação com a sua posição perante o bando. Fica o meu protesto contra essa banalização cretina do ‘modelo’ a ser seguido.

Uns me odeiam, outros me idolatram, mas de qualquer forma a única coisa que eu quero é sair daqui, pois não é no meio deste pântano que eu quero afundar.

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